
Alta de 140% na busca por tratamento de vício em apostas no SUS
Ministério da Saúde aponta crescimento significativo na procura por atendimento relacionado ao vício em apostas nos últimos cinco anos.
O Ministério da Saúde informou que a procura por atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS) relacionado ao vício em apostas cresceu quase 140% nos últimos cinco anos. A revelação foi feita durante uma audiência na Câmara dos Deputados, realizada no dia 28 de maio.
Além do aumento na demanda por tratamento, mais de 574 mil brasileiros solicitaram o bloqueio voluntário de acesso a sites de apostas por meio da plataforma de autoexclusão do governo federal. Essa situação levanta preocupações sobre os impactos das apostas na saúde mental da população.
Causas do vício em apostas
De acordo com dados apresentados, cerca de 41% dos usuários cadastrados na plataforma de autoexclusão relataram a perda de controle sobre os jogos e os impactos na saúde mental como principais motivos para o bloqueio. A dependência do jogo é um fenômeno que afeta não apenas a vida financeira dos indivíduos, mas também sua saúde emocional e social.
Marcelo Dias, representante do Ministério da Saúde, destacou que “a pessoa começa ganhando, e isso a estimula a continuar jogando. Quando as perdas começam, entra em ação um mecanismo comum nos transtornos relacionados a jogos: a tentativa de recuperar o dinheiro perdido.” Essa dinâmica pode levar a um ciclo vicioso, onde o jogador se vê cada vez mais preso à atividade, buscando compensar as perdas através de novas apostas.
Legislação em discussão
Em resposta ao aumento do vício em apostas, parlamentares apresentaram os projetos de lei 2470/2026 e 2478/2026, conhecidos como 'Brasil Contra as Bets'. Essas propostas visam proibir a publicidade, patrocínios e jogos considerados de 'risco excessivo', como caça-níqueis e roleta. A intenção é criar um ambiente mais seguro para os consumidores e reduzir os danos associados ao vício em jogos.
O cenário atual revela que as apostas têm se tornado uma parte significativa do consumo familiar no Brasil. Um estudo da LCA Consultoria Econômica, divulgado na mesma audiência, estima que as apostas representaram 0,46% do consumo familiar total no Brasil em 2025. Esse dado evidencia a relevância do tema e a necessidade de abordagens eficazes para lidar com os problemas gerados pelo vício em apostas.
O crescimento na procura por tratamento e o número expressivo de autoexclusões indicam que o vício em apostas é uma questão que merece atenção urgente. A combinação de fatores como a facilidade de acesso a plataformas de apostas e a falta de regulamentação adequada contribui para o aumento do problema.
A discussão sobre a regulamentação das apostas e a proteção dos consumidores é essencial para mitigar os riscos associados a essa prática. Com os projetos de lei em tramitação, há a expectativa de que medidas eficazes sejam implementadas para proteger os cidadãos e promover a saúde mental da população.
Em conclusão, a alta de 140% na busca por tratamento no SUS por vício em apostas é um sinal claro de que o problema está se agravando. É fundamental que a sociedade, os legisladores e as instituições de saúde trabalhem juntos para enfrentar essa questão e garantir que os brasileiros tenham acesso a recursos e apoio adequados.
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Fontes consultadas
Fact-check 85/100- Busca por atendimento no SUS por vício em bets cresce quase 140% em cinco anos2026-05-29
Dados apresentados pelo Ministério da Saúde em audiência na Câmara dos Deputados confirmam o aumento da demanda por saúde mental devido ao vício em apostas.
- Bets: plataforma de autoexclusão já soma mais de 570 mil cadastros2026-05-28
Senado Federal detalha o uso da ferramenta de autoexclusão e o alerta sobre o crescimento da ludopatia.
- Brasil: Estudo Afirma Que Impacto das Bets é Limitado2026-05-28
Levantamento da LCA Consultoria Econômica analisa o peso das apostas no orçamento das famílias brasileiras.
- Frente parlamentar cria projeto contra anúncio e patrocínio das bets2026-05-27
Detalhes sobre os projetos de lei apresentados por parlamentares para restringir publicidade e patrocínios do setor.
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